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9 de fevereiro de 2010

Sobre o aborto


Esta postagem é uma resposta ao amigo Carlos Bayma que num comentário na publicação anterior quis saber qual a minha opinião sobre o aborto.

Na natureza filhotes inviáveis simplesmente são devorados por suas mães ou abandonados à própria sorte, o que invariavelmente significa a morte. Os animais inferiores deixam para matar suas crias indesejáveis após o nascimento simplesmente porque não possuem tecnologia para a interrupção da gravidez.

Mas na esfera humana a história é diferente. O aborto está ao alcance de todos, mas como a humanidade insuflou a questão com aspectos morais, éticos, legais e religiosos, nem todas as mulheres têm o direito legal ou equilibrio emocional suficiente para praticá-lo.

Eu não acho justo que uma mulher seja obrigada a dar à luz e criar uma criança indesejável, mas, paradoxalmente, também não acho justo que lhe seja dado o direito de arbitrar individualmente a respeito. A gravidez de uma mulher sobrecarrega emocionalmente todos ao seu redor e, portanto, eu sou da opinião de que existindo na sua esfera social alguém (o pai da criança, os avós...) disposto a tomar para si a criança vindoura, o correto é que se permita o nascimento. Não havendo interesse da sociedade no fruto daquela gestação, o aborto é bem-vindo.

Do meu ponto de vista é melhor que se jogue um embrião ou feto inconsciente no lixo do que uma criança consciente no esgoto.

6 de fevereiro de 2010

Você é vegetariano?

Caro leitor. Se você é um cristão vegetariano não me venha com o discurso moralista de que comer carne é uma impiedade contra os animais. De que a dieta cárnea degrada o espírito humano. Por favor, me poupe. Não seja babaca a esse ponto. Quando um cristão vegetariano diz uma coisa dessas está sugerindo que o próprio Cristo era imoral e degradado, pois o Mestre dos mestres era comedor de carne e, como Deus, exigia o sacrifício de animais.

Do meu ponto de vista existem três tipos principais de vegetarianos:

– Aqueles que o são por não suportarem o paladar da carne;
– Os que acham que a carne não é o melhor alimento para a manutenção da saúde, e a substituem por uma alimentação vegetariana;
– E aqueles que não suportam a idéia de fazer do sacrifício de um animal seu prato principal.

Eu não tenho nada contra o vegetarianismo, muito pelo contrário, pois já o pratiquei por dois longos e insípidos anos (rs), só não suporto o discurso hipócrita daqueles que procuram rebaixar os comedores de carne a um nível inferior de humanidade.

Seja como for, mais cedo ou mais tarde seremos todos vegetarianos, nem que seja na marra.

4 de fevereiro de 2010

Hitler e Darwin

Acabo de ler um artigo onde o autor, um religioso cristão – do tipo com retardamento mental grave –, procura estabelecer um paralelo entre o pensamento evolucionista darwinista com os atos de crueldade cometidos durante o Terceiro Reich – Alemanha Nazista.

O imbecil – no sentido literal da palavra – diz que os evolucionistas são pessoas que procuram levar vantagem em tudo, custe o que custar e a quem custar, já que não possuem problemas de consciência (?), e que foi o pensamento naturalista a força motriz para os atos de crueldade cometidos por Adolf Hitler.

Para o babaca em questão foi o conceito evolucionista de sobrevivência do mais forte o que permitiu aos nazistas matar seus desafetos (judeus, ciganos, doentes mentais...) sem problemas de consciência. Hum! Como se o pensamento religioso não fosse uma espada coberta com o sangue de milhões de inocentes. Por sinal, nenhuma ideologia alimentou mais o ódio e a violência do que a religiosa. Se a religião é um inibidor tão eficaz contra a violência, então, o que tem impulsionado os atos de barbárie cometidos pelos cristãos? Que tipo de consciência levou a igreja de Cristo, desde seus primórdios, a perseguir e exterminar populações inteiras de hereges? Lembre-se: do ponto de vista cristão herege é aquele que não aceita o cristianismo; aquele que não participa dos seus deveres religiosos. Mas para o maldito pensamento religioso padrão esse tipo de heresia é o suficiente para condenar pessoas ao inferno. Como se não fossemos todos hereges em relação a alguma religião.

Só por curiosidade, a que tipo de consciência o Deus bíblico estava apegado quando ordenou ao povo de Israel invadir Canaã e matar todos os seus habitantes, inclusive as criancinhas de colo?

Se o autor do texto que li – intitulado Hitler e Darwin – queria vincular as atrocidades de Hitler a algum tipo de ideologia sanguinária, então o título do seu texto deveria ser: Hitler e Deus.

Esse tipo de religioso, capaz de escrever sandices como às que acabo de ler, é a escória da sociedade. Um espécime de demônio transvestido de santidade. Eu duvido que Jesus Cristo, caso realmente tivesse existido, aprovaria o discurso hipócrita alardeado pela maioria absoluta dos seus pseudo-seguidores. Uma raça de víboras.

29 de janeiro de 2010

A involução da raça humana

Quando eu estou sem assunto, mas com vontade de esculhambar com o pensamento religioso padrão, recorro às bobagens escritas pelo jornalista cristão Michelson Borges. Bastam alguns minutos de leitura para me inspirar. Dessa vez o assunto tem haver com a fragilidade do homem moderno. A esse respeito ele disse o seguinte:

“Quando vão se dar conta de que o homem moderno perde para os antigos em todos os quesitos? Basta pensar nas pirâmides e outras obras monumentais de pé até hoje (sem entender isso, alguns afirmam que essas construções só podem ter sido realizadas com tecnologia alienígena). Na verdade, temos a nosso favor apenas a tecnologia, mas perdemos em força, memória, longevidade, inteligência, etc. Vivemos o processo de involução a partir de uma origem superior, decadência essa ocasionada pelo pecado.” - Homem moderno é um “molenga”

Tudo isso que o Michelson disse a respeito da superioridade do homem antigo sobre o moderno é uma tremenda bobagem. Coisa de quem tem preguiça de pesquisar a fundo sobre um assunto antes de emitir suas opiniões tendenciosas. Como diria o desmoralizado Boris Casoy: “Isto é uma vergonha”.

Hoje em dia, em países desenvolvidos, a expectativa de vida supera os 80 anos. Para a próxima geração a expectativa supera os 100 anos (com qualidade de vida), mas não foi sempre assim. No Egito Antigo a esperança de vida era de apenas 40 anos, menos da metade da expectativa de vida do japonês moderno.

Quanto ao que disse o tal cristão fundamentalista a respeito das pirâmides, na verdade sua durabilidade tem mais haver com o material utilizado (a rocha) do que com a inteligência empregada na construção. Cada pirâmide é como um morro de rocha quase maciço, um material muitíssimo resistente à ação de agentes naturais como o vento e a água. É óbvio que um arranha-céu feito de aço e vidro vai durar muito menos do que uma pirâmide feita com milhões de blocos de rocha, mas na qual cabe mal e parcamente o túmulo de um faraó embalsamado. Não sei quanto a vocês, mas eu acho que as edificações modernas são muito mais funcionais e inteligentes.

Quando o Michelson diz que em relação ao homem antigo nós temos a nosso favor “apenas” o avanço tecnológico, o sujeito ignora o fato de que é justamente essa capacidade de desenvolver novas tecnologias a maior arma dos seres humanos na luta pela sobrevivência. Mais vale a tecnologia moderna do que um tacape nas mãos de um homem das cavernas fedido.

Não fosse a ciência moderna estaríamos até hoje à mercê das leis naturais criadas pelo imaginário e impiedoso Deus do Michelson Borges. Mas foi graças ao avanço da inteligência humana que até mesmo os mais fracos dentre nós adquiriram o direito de viver, e viver com dignidade. E são justamente os povos que vivem mais próximo do que foi a vida no passado os que apresentam o pior índice de qualidade de vida.

Talvez o homem antigo fosse fisicamente mais forte e ágil do que a média do homem moderno, mas isso porque naquele tempo somente os mais fortes sobreviviam. Hoje, se fôssemos tão animalescos quanto nossos ancestrais, e eliminássemos do nosso meio os mais fracos, com certeza a agilidade e inteligência média do ser humano moderno alcançariam patamares muito mais elevados.

Mas eu compreendo que para muitos religiosos é difícil admitir que a humanidade vive muito melhor hoje do que, por exemplo, nos tempos bíblicos, quando mulheres, crianças e doentes eram tratados como bicho. Num tempo em que por ordem do “bondoso” Deus de Israel os leprosos eram deixados do lado de fora do arraial para morrer, caindo aos pedaços.

É! Bons tempos aqueles quando os seres humanos mais ágeis conseguiam fugir dos predadores, mas suas crias não. Bons tempos aqueles quando populações inteiras morriam de gripe e varíola.

Ah! Eu não tenho a mínima saudades daqueles tempos em que não vivi.

27 de janeiro de 2010

Onde estão os negros da Argentina?

Durante uma entrevista concedida a Globo News o poeta Ferreira Gullar disse que a maneira de pensar e agir do brasileiro é muito diferente dos nossos vizinhos argentinos.

Ferreira Gullar citou como exemplo disso a diferença entre as ditaduras militares dos dois países. Ele disse que na Argentina a perseguição atroz aos opositores se deu imediatamente após à tomada do poder pelos militares, enquanto no Brasil uma perseguição mais austera teve inicio apenas alguns anos depois do golpe militar.

De fato, a repressão no Brasil foi branda se comparada a violência argentina, e o número de opositores brasileiros vitimados pela perseguição não se compara às dezenas de milhares de argentinos mortos na luta por seus ideais.

Será que o brasileiro é mais passivo do que o argentino? É evidente que sim.

Seja como for, as palavras daquele ex-exilado político me trouxeram à mente um dos mais enigmáticos mistérios da Argentina: o aparente desaparecimento de sua população afro-descendente.

Não é estranho que a Argentina contemporânea seja considerada um país de não negros, sendo que durante seu período escravocrata a proporção de negros de sua população era a mesma do Brasil escravagista?

Afinal de contas, onde estão os negros da Argentina?

De acordo com o último censo a Argentina é formada por 97% de brancos (descendentes principalmente de espanhóis e italianos) e apenas 3% de outros grupos, principalmente ameríndios, sendo que os descendentes de africanos nem ao menos são computados no censo argentino.

Mas como já foi dito, houve um tempo em que a população negra era expressiva naquele país. Em 1810, os moradores negros representavam cerca de 30% da população de Buenos Aires. Em 1887, entretanto, seu número havia caído para menos de 2%.

O que pode ter contribuído para um decréscimo tão acentuado da população negra?

Historicamente o desaparecimento do negro argentino está vinculado a dois eventos principais ocorridos durante o século 19: uma epidemia de febre amarela que devastou bairros negros urbanos, e uma brutal guerra com o Paraguai que colocou muitos argentinos negros na linha de frente para morrer. Contudo, esses mitos históricos parecem não explicar a contento a questão do desaparecimento da população Argentina de origem africana. Na verdade, existem evidencias de que o desaparecimento da população negra da Argentina tem haver com uma política de branqueamento da população durante o século 19, que culminou com o genocídio dos ex-escravos.

Porém, ainda que a maioria absoluta dos argentinos se considere brancos acima de qualquer suspeita, na verdade muitos, sem saber, carregam em seus genes a herança de seus antepassados africanos. Estudos recentes sugerem que grande parte da negritude argentina, praticamente desaparecida por causa da miscigenação, ainda sobrevive nos genes de pelo menos 10% dos residentes em Buenos Aires.

Durante a pesquisa que fiz para a elaboração desta postagem, percebi que este assunto não deve ser bem quisto nas rodas de bate-papo entre argentinos.

Numa entrevista concedida ao Observatório Afro-Latino, o escritor argentino Miguel Rosenzvit trata desse tema. Leia mais sobre A história oculta e esquecida dos negros na Argentina.

23 de janeiro de 2010

A mãe natureza é cruel

Em entrevista a revista Veja, o paleontólogo americano Peter Ward diz que é inútil e perigoso para a humanidade, a esta altura da civilização, tentar se reconciliar com a natureza retornando ao estilo primitivo de vida.

De cientistas renomados ao filme Avatar, boa parte do discurso ambientalista insiste que o homem precisa "retornar à natureza". Essa idéia faz sentido?

Há muita coisa louvável no ambientalismo, da ênfase na economia de combustíveis e outros recursos à idéia de que é necessário preservar certas regiões do planeta. Mas a utopia do retorno a um mundo mais simples, mais primitivo, mais natural, aponta na direção errada, tanto por motivos práticos quanto por motivos teóricos. Se a população da Terra fosse de 1 bilhão de pessoas, vá lá. Mas, num mundo com 6 bilhões de habitantes, não poderemos abrir mão das conquistas de nossa civilização tecnológica se quisermos cuidar de doenças e produzir alimentos em larga escala, para ficar nas necessidades mais básicas. A civilização pré-industrial dos sonhos ambientalistas resultaria, muito rapidamente, em fome global. A fome acarretaria guerras e há poucas coisas feitas pelo homem mais devastadoras para o ambiente do que a guerra. Esse é um dos motivos por que os "verdes" deveriam deixar de lado sua aversão à tecnologia, e considerá-la uma aliada. Mas há outra razão para abandonarmos a tese do retorno ao primitivismo. A história do planeta mostra o contrário: a vida está sempre conspirando contra si própria, está sempre no caminho da autodestruição. Cabe a nós, humanos, refrear essa tendência, mais uma vez, por meio de nossa inteligência e da tecnologia. Estou falando na busca de soluções sem precedentes de "engenharia planetária", como efeito atenuador sobre a temperatura da Terra e regulador dos ciclos básicos da biosfera.

Leia a entrevista completa em Veja.com

Nota: Na verdade, a poluição – resultado do avanço tecnológico – até agora mais ajudou do que atrapalhou a humanidade. Graças ao que foi produzido às custas do sacrifício do meio ambiente hoje vivemos mais e melhor. Contudo, já temos tecnologia suficiente – só falta boa vontade – para desenvolver fontes menos poluentes de energia.

21 de janeiro de 2010

Eleições 2010 - Dilma Rousseff

Essa mulher me dá medo.

Eu não sou machista, não sou antepetista e não acredito em Deus, mas se Deus quiser essa senhora não será eleita presidente do Brasil – eu poderia ter escrito presidenta, mas soa esquisito.

Deus nos livre desse infortúnio.

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Deus, um delírio?

"Será que um Projetista muito competente não foi capaz de fazer uma variedade pretendida desde o início? O registro fóssil implica em ensaio e erro, em capacidade para antecipar o futuro, aspectos inconsistentes com um Grande Projetista eficiente..." - Carl Sagan

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